São Pio de Pietrelcina

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O Santo mais popular da Itália

 

Um livro recentemente publicado na Itália, vem despertando grande interesse. “Padre Pio interrogado. A autobiografia secreta”, do sacerdote Francesco Castelli, com prólogo do famoso Vaticanista Vitorio Messori.

 

O Santo mais popular da Itália, hoje São Pio de Pietralcina, deparou-se, em sua vida, com uma muralha de oposições e detrações maliciosas que muito o fez sofrer e esteve muitas vezes para lançar por terra a obra que Deus realizava por suas mãos. A sua biografia choca por revelar que as críticas não vinham apenas de quadrantes laicos e opositores da Igreja, mas estavam assentadas em cátedras eclesiásticas. Em evidência se colocam as críticas e pareceres malévolos de Pe. Agostino Gemelli, bem retratadas no mais famoso filme sobre o santo preferido dos italianos.

 

A obra em questão revela pela primeira vez na íntegra um interrogatório realizado por Dom Rafaello Carlo Rossi, bispo de Volterra e Visitador Apostólico, enviado pelo Santo Ofício para inquirir secretamente Padre Pio sobre os estigmas milagrosos. No relato que ficou arquivado no Vaticano sobre este colóquio encontram-se informações surpreendentemente reveladoras do perfil de um grande santo.

 

Até hoje, parecia que Padre Pio não teria revelado a ninguém, talvez por humildade, os detalhes e as circunstâncias de sua estigmatização. O único dado conhecido a respeito era o que se encontra em uma carta enviada a seu diretor espiritual, o Pe. Benedetto de San Marco in Lamis, quando fala da aparição de um “misterioso personagem”, mas sem deixar transparecer outros detalhes.

 

O livro de Pe. Francesco Castelli, oferece pela primeira vez na íntegra o informe de Dom Rafaello Rossi, o único representante do Vaticano encarregado de estudar os estigmas de Padre Pio. Seu relato revela detalhes do colóquio do Santo de Gargano com Jesus Crucificado, e oferece informações novas para conhecer a personalidade e a missão de “sacerdote associado à Paixão de Cristo” do frade com os estigmas.

 

Chamado a responder jurando sobre o Evangelho, pouco depois dos fenômenos místicos, Padre Pio revelou pela primeira vez a identidade daquele que o estigmatizou.
Em 15 de junho de 1921, por volta das 17 horas, interrogado pelo bispo, o santo assim respondeu:
«Em 20 de setembro de 1918, depois da celebração da Missa, ao entreter-me para fazer a ação de graças no Coro, em um momento fui assaltado por um grande tremor,
depois voltei para a calma e vi NS (Nosso Senhor) com a postura de quem está na cruz.»

 

 Seu corpo está incorrupto e flexível

«Assim – continua seu relato – se manifestava que ele sofria e que desejava associar as almas à sua Paixão. Convidava-me a compenetrar-me com suas dores e a meditá-las: ao mesmo tempo, a ocupar-me da saúde dos irmãos. Imediatamente me senti cheio de compaixão pelas dores do Senhor e lhe perguntava o que podia fazer. O … teria me impressionado se tivesse a Cruz, lamentando-se da falta de correspondência dos homens, especialmente dos consagrados a Ele e, por isso, mais favorecidos.»

 

«Ouvi esta voz: ‘Eu te associo à minha Paixão’. E logo depois, desaparecida a visão, voltei a mim, recobrei a razão e vi estes sinais aqui, dos quais pingava sangue. Antes não tinha nada. Uma revelação saliente é, portanto, que a estigmatização não foi resultado de um pedido de Padre Pio, mas uma iniciativa de Deus, que, quis compensar a ingratidão dos homens, particularmente dos consagrados, tornando o humilde frade, depositário da missão de revelar novamente aos homens a “loucura da cruz” de que fala o Apóstolo São Paulo.

 

Santo Padre Pio relatou que em uma aparição, no dia 7 de abril de 1913, Jesus, com «uma grande expressão de desgosto no rosto», olhando para uma multidão de sacerdotes, disse-lhe: «Eu estarei em agonia até o fim do mundo, por causa das almas mais beneficiadas por mim». Francesco Castelli também ressalta que «há um aspecto decisivo no fato de que não haveria um pedido dos estigmas por parte do Padre Pio. Isso nos dá a entender a liberdade e a humildade do capuchinho, que não mostrava absolutamente nenhum interesse em mostrar as feridas». «A humildade do Padre Pio se transluz também em sua reação, ao recobrar os sentidos: os sinais da Paixão marcados em sua carne – sublinha o historiador –. Uma vez concluída a cena mística, ele não fala dela. Não faz nenhum comentário.»

 

Das conversas, de sua correspondência, das testemunhas interrogadas por Dom Rossi e inclusive de seu informe se desprende o fato de que o Padre Pio sentia desgosto pelos sinais da Paixão, que tentava escondê-los e que sofria por ter de mostrá-los pelos contínuos pedidos do visitador apostólico.