O DNA da Cristofobia

 

O DNA da cristofobia

 

– Claudio Alves                           

 

“Muitos conseguem suportar a adversidade, mas poucos toleram o desprezo.”

Thomas Fuller

 

A cristofobia é como um touro que tem um chifre duro e outro mole, cartilaginoso. Isso acontece raramente no mundo animal (chama-se chifre banana), mas seu correlato no âmbito moral é onipresente.

 

No Oriente, o ódio aos cristãos tem se manifestado frequentemente de forma cruenta, com ataques injustificados e brutais. Para se ter uma ideia, o Observatório da Cristianofobia computou, em 2012, mais de 110 mil mortes cujo motivo foi o ódio à fé. Isso bastaria para fazer de Cristo a pessoa mais odiada de nossos tempos. Esse tipo de ódio é representado pelo chifre duro do touro (ou do demônio).

 

No Ocidente, no entanto, o ódio aos cristãos e à Igreja se manifesta de forma mais sutil e, portanto, mais maliciosa. Aos daqui, Maquiavel ensinou que “o ódio é um prato que se come frio”.

 

O leitor ponha-se a questão: o que é mais destrutivo, a agressão ou o desprezo?

 

Segundo o sábio pensamento de Fuller, é muito mais fácil resistir ao ataque duro, mas frontal, do que às sibilinas desmoralizações do deboche. Isto porque, no ataque frontal, o inimigo move-se por um impulso da paixão, a ira, que pode não ter continuidade quando sobrevier o juízo, colocando contrafortes aos motivos da agressão. No desprezo, não. Essa é uma forma de ódio que já passou pela elaboração da razão humana e se instalou no coração como uma decisão fria de prejudicar minuciosamente, de demolir a felicidade do outro, não deixando qualquer possibilidade de defesa. Não raramente, esse tipo de ódio se manifesta pelo desdém, pela indiferença e ridicularização – um ódio revestido da capa cretina do “humor”. É o chifre banana do demônio.

 

Se, porém, esse ódio parece mais cartilaginoso do que o outro, ele não é menos nocivo. Contra a agressão física ou moral, o consenso da sociedade ocidental admite legítima-defesa, mas a reação contra o “ódio sorridente” da desconstrução moral, ou da anedota, é muitas vezes passível de ser qualificada de “intolerância”.

 

Aos católicos é proibido protestar

 

Um exemplo candente dessa cristofobia ocidental foi a polvorosa a que deu início o protesto dos católicos a uma das mais boçais rábulas blasfemas que se tem produzido na mídia brasileira – uma encenação especial de Natal representada pelo grupo cômico “Porta dos Fundos”.

 

Esse aglomerado de pândegos tem frequentemente tentado debochar de Jesus Cristo e de Sua Igreja pensando angariar audiência. Sem qualquer respeito pelo sentimento da maioria do povo brasileiro, espezinha os valores religiosos, utilizando para isso formas não raramente grotescas. Em um de seus vídeos, por exemplo, um médico encena um exame ginecológico em que afirma ter visto uma imagem de Cristo na vagina de sua paciente.

 

No “especial de Natal”, contudo, a perversidade foi ainda além. Zombou direta e despudoradamente da Virgindade de Nossa Senhora, da Maternidade Divina e da Sagrada Família. Nada mais natural, portanto, que isso provocasse a sadia reação dos cristãos.

 

No Rio de Janeiro, a organização católica Associação Nacional Pró-vida e Pró-família protocolou uma queixa no Ministério Público pedindo medidas contra essa dessacralização do sentimento religioso brasileiro.

 

Uma página da web foi montada para que os aderentes pudessem protestar contra a emissora, o que provocou a ira dos rufiões formadores de opinião. Os mesmos escritores que aplaudem e justificam os protestos violentos, realizados nas ruas das grandes cidades pelos Black Blocs, maliciosamente tentaram impingir à legítima inconformidade dos católicos a pecha de “intolerância” – o desgastado chavão.

 

Mas a sanha cristofóbica entrou mesmo em ebulição quando o missionário católico Anderson Reis convidou as pessoas a enviarem emails ao patrocinador do grupo, a cerveja Itaipava, pedindo que retirassem o patrocínio desses programas que ofendiam tão profundamente a sensibilidade da maioria da população brasileira.

 

“Isso já é demais…”, afirmou um site que costuma atacar os princípios católicos. E orquestrou-se uma reação em massa. Do terreno virtual dominado pela Al Quaeda ideológica da internet, os ataques passaram para os jornais. Um membro do grupo Porta dos Fundos, em sua coluna na Folha de São Paulo, publicou violento ataque ao cardeal arcebispo D. Odilo Sherer, que apenas havia caracterizado como “de mau gosto” aquela representação blasfema.

 

Os ataques à Igreja foram violentos e grosseiros, mas não deixaram de nos ser úteis: desfizeram ingenuidades e revelaram que o espírito de desprezo pela Igreja Católica tem, em comum com os martírios do oriente, um só e mesmo DNA: o ódio a Cristo.