Catecismo Mariano - Capítulo V

 

 

PARTE I – Anunciação e Nascimento de Jesus

 

Capítulo V

 

77. Resumo. - São José, avisado por um anjo, da fúria de Herodes, levou Nossa Senhora e o Menino Jesus para o Egito. Ali ficou durante algum tempo e voltou a Nazaré onde Nossa Senhora, com seu divino Filho, levou uma vida obscura.

 

O único episódio conhecido deste período é a perda de Jesus no Templo. Nossa Senhora o encontrou depois de três dias de angústia. Segundo a tradição, pouco antes da vida pública de Jesus, Nossa Senhora viu morrer São José e ficou reduzida à viuvez; ela representou papel importante no primeiro milagre de Jesus, em Caná. Não é provável que tenha constantemente acompanhado Nosso Senhor na sua vida pública; esteve entretanto presente em Jerusalém no momento da Paixão.

 

78. Fuga para o Egito. – São José, avisado por um anjo, de que Herodes ameaçava a vida do Salvador, tomou Jesus e Nossa Senhora e pôs-se a caminho do Egito. Esta viagem foi longa e penosa. Jerusalém dista do delta do Nilo de cerca de duzentos e cinquenta quilômetros. A Sagrada Família, entretanto, ficou em segurança depois de dois dias de marcha, quando alcançou a fronteira dos territórios dependentes de Herodes.

 

Uma tradição local fixa em Matariêh, nas proximidades de Heliópolis e não longe do Cairo, o lugar da permanência da Sagrada Família. Avaliava-se outrora em sete anos mais ou menos a duração do seu exílio. Todavia, os exegetas de nossos dias, documentados em datas mais precisas, reduzem-na consideravelmente; chegam mesmo alguns a limitá-la a algumas semanas.

 

É bem possível que a Sagrada Família aguentasse penosa situação e vivesse muito pobremente no Egito.

 

79. Regresso a Nazaré. – Morto Herodes, José trouxe novamente Jesus e Nossa Senhora para a Judéia. Contudo, receioso das trapaças de Archelaus, filho de Herodes, o Grande, prosseguiu seu caminho até a Galiléia, que então era governada por Herodes Antipas, irmãos de Archelaus, e fixou-se novamente em Nazaré.

 

Ali, Nossa Senhora entregou-se à sua vida simples e escondida aos olhos dos homens. Submissa a São José, prodigalizando cuidados maternos ao Menino-Deus, era fiel a todos seus deveres de estado e santificava as ações comuns por uma caridade incomparável e uma incessante união com Deus.

 

80. Jesus perdido e encontrado. – Havendo Jesus completado doze anos, Nossa Senhora e São José levaram-no, segundo o costume, ao Templo de Jerusalém, por ocasião da festa da Páscoa. Mas, no momento do regresso, o menino ficou secretamente em Jerusalém. Vemos então Nossa Senhora, em pranto, acompanhada de São José, voltar a Jerusalém, onde encontra Jesus discutindos no Templo com os Doutores. A branda censura que lhe faz nesta ocasião e suas angústias revelam a ternura de seu coração materno. Nossa Senhora é o nosso modelo no afã com que devemos procurar a Jesus.

 

81. Nossa Senhora durante a vida oculta do Salvador. – O Evangelho que nada revela sobre os anos da vida oculta do Salvador dos doze aos trinta anos, nem tãopouco diz coisa alguma sobre a Santíssima Virgem. O único acontecimento que nos transmite a tradição, é a morte de São José.

 

Foi uma dura provação para Nossa Senhora perder São José que fora sempre o mais desvelado esposo, e pouco mais tardes perder também Jesus, que ia encetar a vida pública. Deus quer assim ensinar-nos que as provas sendo destinadas à santificação das almas, são o quinhão das almas privilegiadas.

 

82. Nossa Senhora nas bodas de Caná. - O primeiro milagre de Jesus foi feito às instâncias de Nossa Senhora. O vinho estava faltando num banquete de núpcias para o qual foram convidados Nossa Senhora e Jesus com os discípulos. Vemos então Nossa Senhora conseguir de seu divino Filho, apesar de uma primeira objeção, um milagre retumbante: a mudança da água em vinho.

 

83. Papel simbólico de Nossa Senhora. - Este milagre concedido à súplica de Nossa Senhora, mostra-nos claramente o extraordinário poder de intercessão de Nossa Senhora. Seu papel, nesta circunstância, é o símbolo do que ela desempenha por nós junto a Jesus. Conhece as nossas necessidades, expõe-as a seu Filho e consegue-nos o divino amparo, sobretudo si lhe dirigimos alguma súplica.

 

84. Nossa Senhora durante a pregação de Jesus. - Muito pouco ou nada sabemos da vida da Santíssima Virgem durante os três anos da pregação de Jesus. O Evangelho no-la mostra presente a várias instruções de Jesus; talvezo acompanhasse uma ou outra vez com outras mulheres que proviam às suas precisões, mas é improvável que o fizesse constantemente. Ela ficou habitualmente em Nazaré. Seja como for, encontrava-se em Jerusalém no momento da Paixão e presenciou os padecimentos de Jesus e sua morte na cruz.

 

85. Primeiro episódio relativo a Maria durante a vida pública de Jesus. – Conta o Evangelho que, uma vez, logo no começo da vida pública, alguns nazarenos, parentes de Jesus, aqueles que as línguas orientais designam sob o nome de irmãos e que nossas línguas modernas, mais precisas, chamam de primos, admirados de sua fama, foram a Cafarnaum para tornar a vê-lo. Para mais seguramente conseguirem seu fim, fizeram-se acompanhar e apresentar por sua Mãe. O Evangelho cala o resultado da diligência, referindo apenas a palavra de Jesus nesta ocasião: “Quem é minha mãe e quem são meus irmãos? Quem faz a vontade de Deus, este é meu irmãos, minha irmã e minha mãe”.

 

Esta palavra é o mais perfeito elogio de Nossa Senhora, Mãe de Jesus, não só segundo a natureza, mas ainda no sentido espiritual, aqui revelado, da união com Deus.

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86. Segundo episódio. – Em outra circunstância, quando Jesus pregava à multidão, uma mulher do povo exclamou: “Feliz o seio que te trouxe!…” E Jesus replicou: “Felizes os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática!” É, em outros termos, o mesmo elogio de Maria que, a primeira, praticou tão perfeitamente os preceitos e os conselhos do Evangelho.

 

87. Prática. – Imaginar que Nossa Senhora deseja, como em Caná, que façamos tudo o que seu Filho nos disser.

 

88. Leitura. – História e tradições.

 

Os fatos certos da vida de Nossa Senhora são encontrados no Evangelho. Sendo eles pouco numerosos é natural desejo de conhecer outros pormenores. Isto explica como, nos primeiros escritos cristãos que se seguiram aos Evangelhos, se deparam tradições, lendas até, destinadas a realçarem os dados históricos sobre a vida de Nossa Senhora, principalmente sobre a sua juventude. Estes diversos escritos têm o nome de evangelhos apócrifos, porque a Igreja não lhes reconhece valor algum. São, portanto, incapazes de trazer certeza ao espírito. Não obstante, os escritores, com o intuito de enriquecerem suas narrativas e os pintores para orientar suas composições, muita coisa lhe emprestaram.

 

Daí a utilidade de se conhecer os principais fatos que eles citam:

 

Juventude de Nossa Senhora. – Nomes dos pais de Nossa Senhora: Joaquim e Anna; muito tempo sem filhos; Joaquim vê, no Templo, sua oferta rejeitada. Um anjo lhes anuncia o nascimento de Nossa Senhora. Prometem consagrá-la ao Senhor. Moram em Jerusalém perto da piscina probática. Distribuem seus haveres aos pobres.

 

Nossa Senhora no Templo. – Com três anos de idade, Nossa Senhora, por mesma, pede para ir ao Templo. Sozinha sobe os degraus da escadaria. Demonstra mais habilidade que todas as companheiras, nos trabalhos de sua idade, notadamente em bordados.

 

Esposais. – O sacerdote pede, a cada um dos pretendentes à mão de Maria, uma vara que deposita sobre o altar. Na manhã seguinte, a de José tinha florescido. É ele que será o esposo de Nossa Senhora.

 

Outros fatos. – Durante a fuga para o Egito, uma palmeira, junto a qual Nossa Senhora se sentara para repousar, inclinou-se pondo-lhe as tâmaras ao alcance da mão. – A Sagrada Família cai nas mãos dos salteadores. Estes, antendendo ao pedido de um companheiro, o bom ladrão, não lhe fazem mal algum. – As estátuas dos falsos deuses são precipitadas de seus pedestais, em todo o Egito, à entrad da Sagrada Família.

 

De tantos fatos, a Igreja conservou apenas o nome dos pais de Nossa Senhora, seu nascimento em Jerusalém e a sua estadia no Templo.

 

Pelo contrário, um pintor de nomeada, Raphael, para encher sua tela do Casamento da Santíssima Virgem, pôs, na mão de José uma vara florida e, em redor dele, vários jovens que partem a vara.