Catecismo Mariano - Capítulo IV

PARTE I – Anunciação e Nascimento de Jesus

 

CAPÍTULO IV   (A)

 

54. Resumo.O anjo Gabriel foi enviado a Nossa Senhora para anunciar-lhe que, por obra do Espírito Santo, havia de ser a Mãe de Deus. Depois Nossa Senhora foi a Hebrão, visitar sua prima Isabel. Neste encontro João Batista foi santificado antes de nascer e Nossa Senhora pronunciou o “Magníficat” (festa no dia 2 de julho). De volta a Nazaré Nossa Senhora parte pouco depois para Belém. Ali, numa mangedoura, Jesus vem ao mundo. Os pastores e os magos vêm adorá-lo. Mais tarde Nossa Senhora contará tudo isso a São Lucas, que o repetirá no seu evangelho.

 

55. A Encarnação do Verbo. – Tendo-se cumprido o tempo marcado por Deus para nos dar o Redentor e estando a Nossa Senhora providencialmente preparada para o papel incomparável da maternidade divina, foi-lhe anunciado o mistério da Encarnação.

 

56. Circunstâncias da Encarnação. – O anjo Gabriel, mensageiro de Deus, apresentou-se a Nossa Senhora e saudou-a respeitosamente com os magníficos louvores que repetimos no começo da Ave Maria. Ouvindo semelhante saudação, a humilde Virgem perturbou-se, mas o anjo a sossegou. Anunciou-lhe, logo a seguir, que ela havia de se tornar mãe de Jesus, o Filho do Altíssimo e Salvador do homens. Maria objetou que havia feito voto de virgindade; o anjo, porém, respondeu-lhe que o Espírito Santo tão somente teria parte na formação, em seu seio, do corpo de Jesus. Então a angélica Virgem tranquilizada replicou: “Eis a escrava do Senhor! Faça-se em mim segundo vossa palavra”. E cumpriu-se a Encarnação.

 

57. Festa da Anunciação. – A Igreja fixou a 25 de março a festa da Anunciação. Esta festa lembra-nos: 1º as humilhações do Verbo que baixou do céu à terra para se tornar criança e sua infinita bondade que o impeliu a vir redimir o homem culpado; 2º as virtudes refulgentes que Nossa Senhora manifestou nesta oportunidade, mormente a fé, a humildade, a pureza e a obediência. Além disso, a Igreja instituiu o Ângelus para honrar este grande mistério apresentado assim três vezes ao dia à piedade dos fiéis. 58. Visitação. – Logo depois da Anunciação, Maria dirigiu seus passos para a cidadezinha de Hebrão onde residia sua prima Isabel, que se tornara mãe de São João Batista. Tal viagem, de cerca de cem quilômetros, através de uma região montanhosa, não estava isenta de fadigas e perigos, sobretudo para uma donzela. Nossa Senhora, trazendo Jesus em seu seio, ia levar a graça à família de Zacarias.

 

59. Encontro de Nossa Senhora com Isabel. – O encontro deNossa Senhora, já Mãe de Deus, e de Santa Isabel, mãe de São João Batista, fora preparado por Deus para patentear claramente o papel de Nossa Senhora, como canal das graças. Com efeito: 1º no mesmo instante em que Nossa Senhora saudou sua prima, o Precursor de Jesus Cristo foi por este, santificado, isto é, puro da culpa original; 2º Santa Isabel ficou, ao mesmo tempo, cheia do Espírito Santo, reconheceu Maria como Mãe de Deus e louvou-a com estas palavras da Ave Maria: “Bendita es tu entre todas as mulheres e bendito é o fruto de teu seio”.

 

60. Magnificat. – Nossa Senhora respondeu a Isabel louvando a Deus por ter olhado para a baixeza de sua serva, tornando-a bem-aventurada aos olhos de todas as gerações, por se ter lembrado de suas promessas, exaltado os humildes e confundido os soberbos. São estes os pensamentos e sentimentos do admirável cântico, Magnificat, que a Igreja introduziu nas vésperas.

 

61. Festa da Visitação. – A Igreja, por uma festa especial celebrada a 2 de julho, honra o mistério da Visitação de Nossa Senhora, as graças de que serviu de instrumento e as virtudes que nela praticou, entre as quais se destacam a humildades e a caridade.

 

62. Permanência de Nossa Senhora em Hebrão. – Nossa Senhora ficou mais ou menos três meses em casa de sua santa prima, prestando-lhe toda a espécie de serviços. Não há dúvida que durante esta permanência ela recebeu as mais tocantes demonstrações do respeito que Isabel dedicava à mãe do seu Deus e

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do carinhoso afeto que pudesse ter para a mais terna das filhas. É impossível exprimir a santidade das suas conversas repassadas da mais ardente caridade. Pensam alguns que Nossa Senhora presenciou as maravilhas que acompanharam o nascimento de São João Batista, e depois regressou a Nazaré. Ali continuou sua vida simples e escondida que não a diferenciava em coisa alguma das demais mulheres da cidadezinha.

 

63. Circunstâncias que levaram Nossa Senhora a Belém. – Enquanto Nossa Senhora estava em Nazaré, um edito do imperador Augusto ordenou um recenseamento geral em todo o império romano. A Judéia, então tributária de Roma, foi atingida por este decreto e cada qual teve de inscrever-se no lugar de origem de sua família. Nossa Senhora, acompanhando São José, dirigiu-se para Belém, cidade de David.

 

64. Razões desta transferência. – Acima do acaso aparente de uma medida administrativa, manifesta-se a ação da Providência, nesta transferência. 1º Era de mister, para que se cumprisse a profecia de Miquéias, que Jesus nascesse em Belém de Judá. 2º Era de mister, ainda, afim de que, mais tarde, os Judeus reconhecessem a Jesus pelo Messias, que ficasse bem estabelecido que ele descendia de David. Os registros oficiais, em mãos dos Romanos, certificavam-no si tanto fosse preciso.