Catecismo Mariano - Capítulo III

PARTE I – Predestinação de Nossa Senhora

 

CAPÍTULO III

 

 

Vida de Maria antes da Anunciação

 

35. Resumo. – Maria era da família de David. Seus pais chamavam–se Joaquim e Ana. Foi preservada por Deus do pecado original: é o privilégio da Imaculada Conceição. A Igreja fixou a 8 de setembro a festa do aniversário de seu nascimento. O nome de Maria significa Senhora e Luz. A Igreja estabeleceu uma festa em honra deste nome glorioso, terror para o inferno e esperaça dos cristãos. Nossa Senhora, criancinha ainda, foi levada ao Templo e ali educada. A Igreja comemora esta fato na festividade da Apresentação que lembra sua pronta, generosa e inteira consagração a Deus. Ao sair do Templo, desposou São José, seu virtuoso parente.

 

36. Como se divide a vida de Nossa Senhora. – Podemos dividir a vida de Nossa Senhora em quatro períodos.

 

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Primeiro – O que precede a Encarnação e se passa em Jerusalém, quer na sua família quer no templo.

 

Segundo – O que corresponde ao grande mistério da Encarnação. Este transcorre em Nazaré com São José, em Hebrão na casa de Zacarias, em Belém por ocasião do nascimento de Jesus e em Jerusalém.

 

Terceiro – O da vida oculta de Jesus. Passa-se parte no exílio, no Egito, e parte em Nazaré e dura trinta anos.

 

Quarto – O da vida pública de Jesus em que se realiza o mistério da Redenção, a que se seguem os últimos anos de Nossa Senhora.

 

37. – Pais de Nossa Senhora. – O pai de Nossa Senhora chamava-se Joaquim e a mãe Ana. A Igreja concedeu-lhes as honras dos altares porque a tradição, que nos transmitiu seus nomes, atesta que ambos eram modelos de todas as virtudes.

 

Ambos pertenciam à família real de David, então muito decaída do antigo esplendor.

 

Ambos eram de idade avançada e privados de descendência quando Nossa Senhora lhes foi dada.

 

38. Imaculada Conceição. – Nossa Senhora, em vista do papel a ela reservado na Encarnação do Verbo, recebeu de Deus, desde o primeiro instante da existência, a plenitude das graças que uma criatura possa receber.

 

Cumpre distinguir em primeiro lugar, entre estas graças, o favor de ter sido preservada do pecado original, privilégio designado pelo nome de Imaculada Conceição.

 

Foi sempre um ponto de crença na Igreja e, em 1854, Pio IX o elevou à categoria de dogma de fé, com sumo gáudio da cristandade.

 

39. Nascimento de Nossa Senhora. – Ignora-se a data exata e o dia do nascimento de Nossa Senhora. A Igreja escolheu o dia 8 de setembro para festejar este auspicioso acontecimento que teve lugar, aproximadamente, no ano 22 antes da era cristã. (Pe. De la Broise).

 

Quanto à cidade que a viu nascer, uma tradição muito acreditada designa Jerusalém, embora haja também uma opinião a favor de Nazaré.

 

40. Razões de uma festa em honra da Natividade de Nossa Senhora. – A Igreja instituiu esta festa:

 

1º Porque Nossa Senhora, desde o nascimento, foi santa, contrariamente ao que se dá com as outras crianças que, herdeiras do pecado original, recebem a inocência com o batismo.

 

2º Porque este glorioso nascimento era como a aurora de nossa Redenção e, consequentemente, o mais alegre acontecimento que a terra tivesse presenciado desde muitos séculos.

 

41. O santo nome de Maria. – O nome de Maria, que Joaquim e Ana impuseram a sua santa filha, era bastante comum entre os judeus. Encontra-se pela primeira vez na Sagrada Escritura para designar a irmã de Moisés. Há várias Marias no Evangelho: Maria Madalena, Maria Salomé e Maria mulher de Cléofas que julgam ter sido irmão de São José.

 

42. Significação do santo nome de Maria. – Podemos afirmar que Maria realizou a significação de seu nome. Significa no mesmo tempo Senhora, isto é, Rainha, e Luz. Grafava-se Miriam ou Mariam entre os judeus e adotamos a forma latina Maria.

 

1º Maria é, com efeito, a Senhora ou Rainha dos anjos, dos homens, do mundo inteiro. A Igreja a saúda muitas vezes com este nome, principalmente nas ladainhas lauretanas. Costumamos, outrosim, chamá-la Nossa Senhora.

 

2º Maria é também nossa Luz, não, sem dúvida, como seu Filho Jesus que é o sol de justiça, mas como a doce aurora que o precede, como a lua que o recorda, como a estrela matutina que o anuncia, nomes graciosos que lhe dá a Igreja.

 

43. Culto do Santo Nome de Maria. – A Igreja instituiu uma festa em honra do Santo Nome de Maria. (12 de setembro).

 

Na verdade, depois do de Jesus, o nome mais glorioso é o de nossa Mãe. Daí o costume freqüente de impô-lo às crianças, na pia batismal, e aos religiosos na tomada de hábito.

 

Vários institutos religioso o escolheram como prova solene do seu amor para com sua excelsa Padroeira: por exemplo, na idade média, os Servitas de Maria e, mais recentemente, a Sociedade de Maria, o Instituto dos Pequenos Irmãos de Maria (Irmãos Maristas) e numerosas Congregações femininas.

 

Da mesma maneira, este nome venerando foi adotado por numerosas casas religiosas: escolas, hospitais, conventos. Citemos, entre milhares, todos os conventos de Trapistas: Nossa Senhora das Neves, Nossa Senhora d’Aiguebelle, Nossa Senhora de Sept-Fons, etc.

 

44. Virtude do nome de Maria. – Como o nome de Jesus, o de Maria é:

 

1º O terror do inferno. “O demônio, diz São Germano de Constantinopla, foge só ao ouvir o nome de Maria”.

 

2º A força e o amparo dos que o invocam. Diz, por sua vez, o Venerável Padre Champagnat: “Oh! quanta virtude encerra o nome de Maria! Quão felizes somos por te-lo adotado! Há muito tempo que não se falaria mais da nossa sociedade se não fora a proteção deste santo nome, deste nome milagroso!”

 

45. Maria no Templo. – Além da apresentação ao Templo de Jerusalém, oitenta dias depois de nascida, Maria para ali foi levada desde a mais tenra idade, por especial cuidado de seus pais, que a consagraram ao serviço de Deus.

 

Junto ao Templo existiam dependências onde meninas se educavam piedosamente e podiam, mediante pequenos trabalhos em relação com a idade e aptidões, contribuir para a limpeza e ornamentação do lugar santo.

 

Convinha que a santa menina: 1º nunca estivesse exposta ao contágio do mundo corruptor; 2º fosse o modelo das almas consagradas a Deus na vida religiosa.

 

46. A festa da Apresentação. – A Igreja fixou a 21 de novembro a festivida destinada a comemorar a Apresentação de Nossa Senhora ao Templo. Sua consagração é o modelo da dos religiosos.

 

1º É pronta, pois encerra-se no Templo desde a mais tenra idade, ensinando-nos assim, pelo exemplo, que nunca é cedo demais para se consagrar a Deus.

 

2º É generosa, pois abandona o mundo e até sua santa família, para cuidar exclusivamente do serviço de Deus.

 

3º enfim, é total, porque, prevenida e atraída pela graça de Deus, consagra-se inteiramente e para sempre a Deus.

 

47. Nossa Senhora e os votos de religião. Neste consagração de Nossa Senhora, temos um exemplo bastante exato dos votos de religião: de obediência, por sua submissão à vondade de seus superiores; de pobreza pelo abandono de sua casa e dos bens paternos; de castidade, pelo voto de virgindade que ela ofereceu a Deus, fato até então sem precedentes.

 

48. Vida de Nossa Senhora no Templo. – Nossa Senhora, no Templo, levou a vida comum de suas companheiras. Não se pode negar que fosse para elas modelo de piedade e de obediência. Pias tradições no-la mostram como a mais adiantada no conhecimento dos livros santos e a mais habilidosa na confecção dos bordados usados na ornamentação do Templo.

 

Acredita-se que foi durante a estadia de Nossa Senhora no Templo que faleceram seus santos pais, Joaquim e Ana.

 

49. Fim da estadia de Nossa Senhora no Templo. Seu casamento. – Nossa Senhora permaneceu no templo até seu casamento com São José.

 

Este casamento, nos desígnios de Deus, devia apenas velar honradamente o mistério da Encarnação. Nossa Senhora contraiu núpcias conforme o costume daquele tempo, por ordem e pelos cuidados daqueles de quem então dependia e que lhe escolheram, para esposo, seu santo parente São José, o humilde artífice de Nazaré.

 

50. Prática. – Alegrar-se de trazer o nome de Maria quer pessoalmente, quer pela filiação a algum grupo: paróquia, confraria, ordem religiosa.

 

51. Leitura. – Manoel Belgrano. – O general Manoel Belgrano é uma das mais puras glórias da Argentina; foi um dos primeiros heróis que lutaram valentemente para obter a independência de sua pátria. Melhor que tudo isto, foi pricipalmente um modelo de bom cristão.

 

Distinguiu-se por ardente devoção para com Nossa Senhora, que nomeou Generalíssima dos seus exércitos; por isso exigia os seus soldados tivessem no peito o bentinho de Nossa Senhora do Carmo.

Quando o Governo Provisório argentino o encarregou de criar a nova bandeira nacional, adotou as cores do manto de Nossa Senhora de Luján: o azul e o branco, para que figurassem no primeiro símbolo de sua pátria independente.

 

Ainda fez mais: com o dinheiro que arrecadou de suas numerosas vitórias, fundou quatro escolas, cujos regulamentos, ditados por ele mesmo, tinham por base o estudo do catecismo, a recitação diária das ladainhas de Nossa Senhora e, nos sábados, a do terço.