Editorial

 

Cristãos adormecidos?

 Papa_rolling

Esta revista é apolítica, não tem opção partidária. Ela visa a conscientizar seus leitores a respeito da conveniência de trabalharmos por uma sociedade mais cristã e, em consequência, por um mundo melhor.

 

É verdade que a missão primordial da Igreja é a salvação das almas, mas ela não para aí. Subsidiariamente, a Igreja procura favorecer a elevação da pessoa humana em todos os aspectos, confiando aos leigos o trabalho de mudar as realidades temporais e preparar o campo para a semeadura espiritual, como vemos nas palavras do oráculo ao Profeta Isaías: “Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas. Sejam alteados todos os vales e abatidos os montes e as colinas”.

 

Se apenas os católicos, que constituem 68% da população, estivessem conscientizados de que essa é uma missão da qual não podem se eximir, talvez muitos absurdos que presenciamos em nossa vida pública não existissem. Com certeza, nossos representantes, que dependem dessa maioria de votos, simplesmente não afrontariam o mais elementar senso de ordem e de justiça ao votarem determinados projetos que são um escárnio à população que sofre.

 

Por simples interesse próprio, os políticos temeriam destinar bilhões para promover um evento esportivo, a copa do mundo de futebol, que nada tem a ver com a missão do poder público, ao mesmo tempo que a população morre nos corredores dos hospitais por falta de leitos e de remédios, além da precariedade na educação, que se encontra em estado lastimável.

 

Em dezembro, por exemplo, foram divulgados os resultados do PISA, o mais importante teste de qualidade da educação no mundo, realizado a cada três anos, com alunos de 15 anos de idade. Entre os 65 países que se submetem ao exame, o Brasil ficou em 58ª lugar, quase na lanterna. Para piorar, caímos três posições em relação ao PISA de três anos atrás. Enquanto isso, novas informações sobre o custo da Copa apontam para um gasto de mais de 30 bilhões de reais – mais de três vezes o mais caro desses eventos já realizados. Não dá para negar. O sono letárgico em que caímos está comprometendo o amanhã de nossos filhos.

 

Apesar de constituirmos uma maioria cristã, nosso desinteresse pela salvação das almas e pelos valores cristãos está relegando a nossos filhos um mundo onde as veredas serão mais tortuosas e os montes mais pedregosos. E isso pelo prazer fátuo de ver um jogo de futebol, um “prato de lentilhas” moderno.